Vendas diretas crescem apesar da crise



(Getty Images)
 
Apesar da retração na economia, as vendas diretas crescem, puxadas pela preocupação com peso, qualidade de vida e cuidados pessoais.

Existe uma máxima no varejo que diz que as empresas de vendas diretas vão bem quando a economia vai bem, e também vão bem quando a economia enfrenta uma crise. Os resultados comprovam a afirmação. Enquanto o varejo tradicional acompanha a retração da economia brasileira, com quedas sucessivas desde o início do ano, a venda baseada no contato pessoal entre vendedores e compradores cresceu 1,5% nos três primeiros trimestres deste ano, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Estimativas do Euromonitor International apontam que a tendência de alta pode se manter até 2019, quando o volume de negócios deve somar 42,8 bilhões de reais. Entre 2010 e 2014, as vendas diretas registraram avanço constante de 6,8%, acumulando 30% de crescimento no período, segundo a pesquisa Consumer Insights, da Kantar Worldpanel. 

São vários os motivos que explicam a boa fase das vendas diretas mesmo em tempos complicados para o varejo tradicional. Um deles é conhecido como “efeito batom”, fenômeno que leva os consumidores a gastarem mais com cuidados pessoais durante os períodos de contração da economia. “Quando o dinheiro está curto, o consumidor deixa de lado a compra de itens de alto valor e também a ida ao cinema ou ao restaurante”, diz Roberta Kuruzu, diretora executiva da ABEVD. “Mas as pessoas passam a se tratar mais e consomem maior quantidade de produtos de cuidados pessoais, tanto cosméticos quanto  shakes e barras, o que chamamos de beleza de dentro para fora”, afirma Roberta.

Outro fator que vem intensificando o crescimento das vendas de produtos ligados à nutrição, saúde e bem-estar é a preocupação crescente dos brasileiros com o peso e a nutrição equilibrada. Entre 2009 e 2014, as vendas de produtos relacionados ao controle de peso cresceram 70% no país, gerando um movimento de quase 1,2 bilhão de reais. Desse total, 1 bilhão de reais são provenientes da comercialização de produtos que substituem algumas refeições, como os shakes. Os dados são do relatório Weight Management in Brazil, do instituto Euromonitor International, que prevê ainda para o segmento vendas de mais de 1,5 bilhão de reais em  2019.

O relatório mostra também que a preocupação com o peso no Brasil deixou de ser uma exclusividade das mulheres, como já ocorre nos Estados Unidos, onde 71% das mulheres e 65% dos homens consomem suplementos alimentares de dieta, segundo estudo encomendado pelo Council for Responsible Nutrition (CRN). Nesse desafio para perder peso e alcançar o bem-estar, o revendedor direto conquistou um papel importante, porque age como uma espécie de consultor, ao acompanhar o cliente e motivá-lo a manter a dieta e os hábitos de uma vida saudável. Daí a importância para o setor da opção pelas vendas diretas.




Alimentação equilibrada

“Hoje existe uma participação muito maior das pessoas em eventos esportivos, corridas de final de semana e academias”, afirma a nutricionista Andrea Zaccaro de Barros. Essas pessoas que fazem exercícios também têm procurado potencializar os resultados com alimentação equilibrada e acompanhamento de especialistas. “Antes não havia nutricionistas trabalhando com pessoas saudáveis, que buscam bem-estar e qualidade de vida. Tratávamos aquelas com problemas de saúde, como diabetes e colesterol alto”, afirma Andrea. 

O especialista em varejo Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral da consultoria GS&MD, elenca outros dois fatores para explicar o descolamento do desempenho do segmento de vendas diretas da crise econômica. “O primeiro e mais básico é o fato de que novos players entraram nesse canal”, afirma. O segundo e mais relevante é o fato de a venda direta representar uma renda extra para as famílias. “Quando o índice de desemprego aumenta, como vem ocorrendo no Brasil, a demanda por esse tipo de renda também cresce”, afirma Gouvêa de Souza. 

Essa percepção pode ser comprovada pelos números. Em dezembro do ano passado, o índice de desemprego medido pelo IBGE era de 4,3%. No segundo trimestre deste ano, alcançou 8,3%. Já o número de revendedores diretos, os profissionais autônomos que atuam nesse mercado, aumentou 5% no mês de setembro e 1,4% no acumulado do ano, totalizando quase 4,6 milhões de consultores em todo o país, segundo levantamento da ABEVD.

Mais vendas, mais ganhos

“No canal de vendas diretas, o profissional pode começar a trabalhar por conta própria sem a necessidade de fazer investimento inicial”, diz Roberta Kuruzu, da ABEVD. “É diferente, por exemplo, de uma pessoa que tenha sido demitida e queira investir o valor da rescisão na abertura de um varejo tradicional, que exige ponto comercial, estoque, funcionários.” O revendedor pode ainda começar a atuar em tempo parcial, dividindo seu dia com a empresa ou outro negócio. 

Além disso, Roberta ressalta que, diferentemente do que acontece em uma estrutura tradicional de empresa, os ganhos do revendedor direto estão relacionados ao seu esforço. “Em uma empresa, muitas vezes o profissional bate metas e busca capacitação sem que isso tenha efeito direto sobre a sua remuneração”, afirma Roberta. “Em vendas diretas, quanto mais ele vender, mais vai ganhar.” 

Fonte: Exame.com

Saiba como tornar sua saúde melhor bebendo a água certa, na quantidade ideal

Especialistas mostram como a água pode determinar nosso envelhecimento e falam dos riscos de se  ingerir alguns de seus componentes.

A proporção é quase a mesma. O planeta Terra é na verdade o planeta água. A Terra em que vivemos é mais de dois terços líquida. E com nosso corpo é igual. Somos 70%  água, embora à medida que o tempo passe essa taxa se reduza. É por causa disso que nos tornamos velhos. Um recém-nascido tem 75% do corpo composto de água. Em um idoso, essa taxa despenca para 60%. É essa queda que determina os sinais de envelhecimento, marcas da passagem do tempo quando nos tornamos flácidos e nossa pele perde a elasticidade.

Presidente da SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), o médico Dr. Jomar Souza avisa que esse processo é irreversível. Não adianta tomar mais água que o normal achando que podemos retardar o envelhecimento.

— Todo excedente de água que a pessoa tomar será eliminado pelos rins, através da urina. O organismo reterá somente o que precisar. Assim, se uma pessoa tomar 10 litros de água por dia, aproveitará em média dois e eliminará oito.

Responsável pela composição das células no organismo, a água é o principal elemento do sangue e também funciona como transporte de nutrientes e estruturas de defesa. Uma pessoa desidratada ou que não ingere água o suficiente pode ter uma série de doenças, como cálculo renal, ressecamento da pele e até mesmo dificuldade nas funções intestinais. De acordo com o especialista, um copo de água pela manhã melhora o trânsito do intestino e passamos a reter menos substâncias tóxicas.

Ainda segundo Jomar, é importante não esperar sentir sede para beber água.

— Quando sentimos sede, sinal de que um processo de desidratação já teve início. Por isso, devemos ter o hábito de beber água sempre que possível.

E qual a melhor água para ingerirmos? Segundo ele, é a de torneira, depois de fervida e resfriada.

— A água potável que chega à nossa casa é a melhor que podemos consumir, desde que seja fervida e depois armazenada. É fundamental, no entanto, que o tanque ou caixa em que ela fica guardada antes de chegar à torneira de nossa casa seja limpo a cada seis meses ou um ano.

Não importa o tipo de filtro que se tem em casa. Nenhum processo de filtragem, explica o médico, consegue anular a principal propriedade da água: a hidratação.
  
A principal questão, no entanto, não é em relação à água que se toma, mas sim com qual velocidade ela precisa ser absorvida. Enquanto a água pura, a uma temperatura de 5 a 10 graus, é absorvida pelo corpo de maneira mais rápida, com a mineral esse processo é mais lento, devido aos elementos contidos nela, como sódio, magnésio, potássio.

— Até uma hora de exercício físico, o ideal é tomar água pura. Depois de uma hora suando, é melhor dar preferência a bebidas isotônicas que, apesar de terem a absorção mais lenta, trazem elementos que perdemos em grande quantidade, como açúcares. Já a água com gás pode causar desconforto gastrointestinal e dificultar a absorção da água, não sendo a melhor opção para hidratar.

Como os bons azeites, a água também possui uma gradação que mede sua acidez. No caso, é seu pH que pode ser importante para avaliar as condições de consumo e pode ser medido em aparelhos domésticos vendidos em lojas de equipamentos para piscinas.  De acordo com Vinícius Gomes,  doutor em Química e professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), com passagem pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), a água tratada e oferecida para a população tem pH de 7,2 e 7,4, segundo ele, ligeiramente alcalina. E a  água mais alcalina é melhor.
  
— É melhor em  razão da condutividade elétrica. Esses sais estão em íons no organismo, eles serão transportados de acordo com uma faixa de pH. A faixa ideal para transportar algumas substâncias é entre 7 e 7,5 . Com uma água mais alcalina, os nutrientes seriam melhores transportados.

Vinícius lembra que há vários elementos presentes na água. Há  o flúor, que é usado no tratamento, há a quantidade de sódio.

— Com toda certeza a qualidade da água é importante para a qualidade de vida. Em outro caso, a água possui alguns metais essenciais, que a gente precisa. Mas, em alta quantidade os mesmos metais fazem mal à saúde.

Para o doutor e professor de Química da Unesp, Homero Marques não existe uma receita fechada.

— A água alcalina, por exemplo, é um veneno  para uma pessoa que tenha propensão a formar cálculo renal.

Mas segundo ele, de modo geral pode-se tranquilamente tomar água tomar água com pH entre 6 e 8.

— Normalmente trabalhamos na faixa de pH neutro por facilidade. Mas não tem qualquer problema com isso.

Não existe uma água milagrosa que vai fazer você ficar saudável. Ela tem que ter qualidade, deve haver um tratamento desde bacteriologia, estar livre de micro-organismos  e passar por um controle do teor de substâncias presentes na água.

Enganação
  
O professor adverte a que a venda de filtros que afirmam ter poder de  “magnetizar a água” é uma enganação:

— Magnetizador de água? A polícia tem que ir em cima do cara (que vende este tipo de filtro). Isso é impossível. Se alguém no mundo conseguir magnetizar a água, ganha um Nobel.
Para Homero, o ideal é  consumir no mínimo três litros de água por dia.

— Isso depende do ambiente em que a pessoa trabalha. Para quem trabalha sentado, fechado num ambiente com ar condicionado, tomar dois litros de água é quase impossível. Já um pedreiro, que trabalha o dia inteiro se movimentando, toma cinco litros tranquilamente. O organismo de cada pessoa é que determina.

Carlos Alberto Werutsky, médico nutrólogo da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) atesta que não existe uma água melhor que a outra.

O enriquecimento dessa água pura é que pode diferenciar um produto de outro.

E, segundo ele,  refrigerantes, sucos, isotônicos e bebidas chamadas de esportivas não são os substitutos ideais da água.

— Não se pode indicar ou recomendar para a população que toma suco de fruta, que tome bebidas esportivas no lugar da água. Embora esse enriquecimento traga benefícios, o consumo não pode ser exclusivo. 

Por exemplo, se um maratonista que passar uma prova inteira tomando uma bebida esportiva ele vai ter riscos de perder em performance. Ele deve tomar 80% água e 20% de uma bebida esportiva durante o percurso.

Fonte: r7.com

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